Parlapatões, Patifes e Paspalhões

Depois de três experiências teatrais de rua, os Parlapatões fizeram sua primeira temporada em espaço fechado, no Teatro João Caetano, para público infantil.

O texto de Hugo Possolo, que dá nome ao grupo, foi escrito em 88 numa oficina de Dramaturgia coordenada por Zeca Capeline e Cláudia Dallaverde. O título, pra batizar o grupo, ganhou um &, o “e” comercial, pra caracterizar que representava um coletivo teatral.

O texto é uma versão urbana que mescla duas farsas medievais anônimas: O Pastelão e A Torta e a famosa Farsa do Mestre Pathelin.

Na peça, dois batedores de carteira, com medo da polícia se fazem passar por vendedores de ervas. Disfarçados de curandeiros contavam, então, as histórias que justificavam e reiteravam os poderes milagrosos de deus produtos. Ao final, uma das assistentes explicava aos farsantes que suas histórias eram bem interessantes que seus produtos.

Marcou a primeira formação do grupo com Hugo Possolo, Jairo Mattos, Alexandre Roit e Arthur Leopoldo e Silva, que dirigiu esta montagem, contava com a participação de Jacqueline Obrigon.

Os figurinos tinham uma característica importante onde da mesma roupa se montavam várias outras estampas e personagens. O efeito era como se camisas e calças fossem páginas de um livro que, ao serem viradas, traziam outras imagens em terceira dimensão.

Com trilha sonora apoiada em canções populares de raízes nordestinas, ligava o universo urbano da encenação ao ambiente dos retirantes e suas aventuras na cidade de São Paulo. O visual caótico da cenografia que remetia ao Largo da Concórdia utilizava a barraca de camelô como balcão de loja e o banco de uma praça como quarto de hotel, montando os ambientes das histórias que os ladrões contavam para iludir o público.

Um espetáculo com acento da comédia popular que ainda esboçava os recursos que o grupo utilizaria mais adiante como marca do seu estilo. Consolidou suas relações com a escrita teatral, diferenciando-se dos espetáculos de variedades que caracterizavam os Parlapatões até então. Deslocava também o foco das técnicas circenses exatamente para fazer uma maior investida na dramaturgia.

FICHA TÉCNICA

Texto:
Hugo Possolo

Direção:
Arthur Leopoldo e Silva

Elenco:
Jairo Mattos, Hugo Possolo, Alexandre Roit e Jacqueline Obrigon

Assistente de Direção: Marcos Loureiro
Cenário e Figurinos: Hugo Possolo
Direção Musical: Atílio Marsiglia
Trilha Sonora: Arthur Leopoldo e Silva
Iluminação: Alexandre Roit
Fotos: Elaine Frere
Programação Visual: Hugo Possolo
Realização: Teatro Novo
Produções Artísticas.
Ainda com esta representação jurídica foi o ano em ano (92) em que se adotou o nome do grupo como PARLAPATÕES, Patifes & Paspalhões.