Sardanapalo

(montagem de 93)

Uma Comédia Dionisíaca

A montagem de 93 de Sardanapalo tem grande importância histórica para os Parlapatões. Além da visibilidade que o grupo passou a ter a partir de sua apresentação na Jornada Sesc de Teatro, que naquele ano era voltada à comédia, muitos elementos de sua pesquisa artística ali se concretizaram.

O texto base para a montagem era uma espécie de escrita em prosa que Hugo Possolo havia feito a partir de uma análise do filósofo Alain Grorichard para a série de encontros realizados pela Funarte, organizado por Adauto Novaes, chamado de O Desejo. Esta versão inicial era mais voltada para a encenação de um espetáculo solo.

Possolo desenvolveu duas outras versões, para três atores, que serviram como base para o trabalho coletivo que ali se consolidava. A versão que estreou na Jornada foi a sexta. Quando este entrou em cartaz, meses depois, já tinha sua oitava versão.
A maior parte dos ensaios eram realizados na rua, em praças e no parque do Ibirapuera, o que as vezes gerava uma audiência espontânea e nem sempre desejada. Mas contribuiu muito pra os Parlapatões mantivessem seus recursos de teatro de rua inseridos em suas apresentações nos espaços fechados.

Esta primeira montagem de Sardanaplo entrou em cartaz em uma sala adaptada do Teatro Paulista (antigo Teatro Mambembe), onde permaneceu um ano e oito meses.

A encenação, após a Jornada Sesc, sofreu radicais alterações em sua cenografia. Antes encenada em palco italiano, agora a peça passou a ser realizada em oito pequenos palcos distribuídos ao redor da sala. O público sentava-se no centro, em cadeiras giratórias e seguia os acontecimentos que variavam de ambiente conforme a cena.

O vínculo com a dramaturgia colaborativa, a junção dos elementos do circo e do teatro de rua, o jeito debochado que se apontava, sem dúvida, alicerçaram o projeto artístico subseqüente do grupo.

FICHA TÉCNICA

Uma Comédia Dionisíaca

Texto:
Hugo Possolo

Direção:
Carla Candiotto

Elenco*:
Hugo Possolo, Raul Barretto e Alexandre Roit

Músicos**: Toni Cunha e Valéria Zaidan
Assistente de Direção: Marcos Loureiro
Direção Musical: Célio Brant
Cenografia: Hugo Possolo
Figurinos: Adriana Vaz Ramos
Iluminação: Carlos Gaúcho
Supervisão Circense: Rodrigo Matheus
Divulgação: Cátia Vasconcelos
Costureira: Alice Correia Cenotécnico: Chimanski
Fotos: Leopoldo de Léo Jr. e Paquito
Produção Executiva: Amália Tarallo
Assistentes de Produção: Lígia Cerri, Regina Toledo e Amália Tarallo
Produção e Administração: Leopoldo De Léo Jr.
Realização: PARLAPATÕES, Patifes & Paspalhões em associação a E.C.P. Estudos Culturais Programados, com representação jurídica da alteração de nome da Teatro Novo para de Parlapatões, Patifes & Paspalhões Produções Artísticas.

* Os técnicos deste espetáculo tinham participação cênica. Entre os diversos que participaram desta versão estão: Ligia Cerri, Geraldo Júnior e Neto Oliveira.

** Músicos que participaram da temporada: Célio Brant (E); Luciano Monson (E); Valéria Zaidan (S); Cris Miguel (S).