Montada dentro do Projeto Pantagruel, Os Mané permaneceu seis meses em cartaz, ganhando vida própria. Além da pesquisa voltada à obra de Rabelais, o processo de trabalho se voltou para uma dramaturgia de grupo. Avelino Alves, Mário Viana e Hugo Possolo escreviam e reescreviam seus textos, debatendo-os com o elenco estabelecendo um diálogo rico e intenso. De seis peças trabalhadas, apenas uma não foi montada, Missa Para Um Asno. A seguir dois textos do programa feito em 2000:

Em Outubro de 99, quando iniciamos uma pesquisa extensa e aprofundada sobre François Rabelais, que visa trazer ao palco uma adaptação de seu romance Pantagruel, sentimos a necessidade de compartilhar com o público as nossas descobertas e dúvidas sobre tão complexa obra. A princípio iríamos realizar algumas leituras de texto ou mesmo ensaios abertos, mas a gama de temas abordados nos possibilitou mais que isto. Resolvemos selecionar alguns destes temas, baseados no trabalho do crítico literário Mikhail Bakthin, e a partir deles, desenvolver espetáculos curtos, com custos de produção mais baixos, que pudessem trazer à tona não somente as questões teóricas que envolvem um projeto deste porte, como também efetivá-lo em sua prática teatral.
Serão seis peças neste formato, das quais quatro já fazem parte do repertório dos Parlapatões:
· Os Mané – Texto de Hugo Possolo
· Poemas Fesceninos – Roteiro de Hugo Possolo
· Água Fora da Bacia – Texto de Avelino Alves
· Mistérios Gulosos – Texto de Mário Viana
Estão previstas, ainda para este semestre, as montagens de:
· Um Chopes, Dois Pastel e Uma Porção de Bobagem – Texto de Mário Viana.
· Missa Para Um Asno – Texto de Hugo Possolo.
Agradecemos à todos que têm apoiado e acompanhado este Projeto desde seu início, na Sala Repertório do TBC, que soube abrir espaço a um grupo que se dedica ao estudo da comédia, que muitas vezes é tratada como uma forma de expressão mais fácil ou apenas de apelo comercial. O humor não é uma atividade desvinculada de pesquisa, como muitos incautos podem pensar. Nosso maior objetivo é divertir o público, com qualidade e profundidade.
Parlapatões

Três Manés: Três Faces do Milênio

“Todo mundo vai dizer que a maior invenção do milênio é a televisão ou o microchip. Mas seria bom se conseguíssemos aprender alguma coisa com a Idade Média”.
(Umberto Eco, escritor e semiólogo, em artigo publicado pelo The New York Times Magazine sobre as invenções do milênio.)

A febre ansiosa de final de milênio, que vinha percorrendo o mundo até o ano passado, me fazia supor que a humanidade havia ficado bastante burra. Parecia circunstancial. Até que descubram que o milênio ainda não acabou. Mas é bom não espalhar…
Os Mané trata desta sensação, que alguns de nós podemos ter, vez ou outra, de que não pertencemos a este tempo. Ondas de nostalgia, sobre tempos que não vivemos, vêm altas e fortes e tomam conta de nosso dia-a-dia. A mídia, senhora de nossos dias, fatura alto com estes ciclos de falta de criatividade que procuram nos transportar de um tempo a outro sem o menor sentido. Aliás, com único sentido de vender alguns produtos.
Cruzar tempos e personagens busca dar um sentido mais amplo a cada tempo e à humanidade que nele reside. De certa forma, mais que um exercício de imaginação, o texto é espécie de tratado, de uma auto-afirmação, sobre a missão que acredito que o artista deve cumprir no mundo, em qualquer tempo.

Hugo Possolo

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Ficha Técnica

Texto e Direção:
Hugo Possolo

Elenco:
Raul Barretto, Claudinei Brandão, Hugo Possolo, Barbara Paz, Henrique Stroeter e Keila Taschini

Direção Musical: Abel Rocha e Rodrigo Vitta
Cenografia
: Hugo Possolo
Figurinos: Olintho Malaquias
Iluminação: Marcos Loureiro e Hugo Possolo
Fotografia: Luiz Doro
Programação Visual: Agentemesmo Produções Gráficas
Secretária: Lílian Hadad
Realização:
PARLAPATÕES, Patifes & Paspalhões, da Cooperativa Paulista de Teatro.

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